terça-feira, 17 de outubro de 2017

Exageros




 
 
Assisti a um vídeo na internet no qual uma drag queen montada dava palestras em uma escola para crianças que, aparentemente, tinham entre sete ou oito anos de idade. Não tenho, e nem nunca tive absolutamente nada contra drag queens ou homossexuais. Acredito que cada um deve ser feliz vivendo de acordo com aquilo no qual acredita e se sente bem. Porém, o vídeo me chocou, pois obviamente, aquelas crianças estavam sendo submetidas a algo que elas não poderiam, àquela idade, compreender. O palestrante perguntava: “Gente, essa coisa de menino e menina não existe! É o que?” E as crianças respondiam, em uníssono: “Preconceito!” Dava para perceber claramente que as crianças estavam sendo submetidas a uma lavagem cerebral, pois crianças daquela idade nem sequer sabem o significado da palavra “preconceito”.



Eu me senti pessoalmente agredida; como assim, “Essa coisa de menino e menina não existe?” Existe sim! Eu nasci menina, e sou menina até hoje. Não sou uma coisa que não existe, nem pretendo me sentir como tal algum dia. Crianças pequenas deveriam ser deixadas em paz. Que sua sexualidade aflore naturalmente, com o passar do tempo e conforme elas tiverem idade para perceberem se nasceram homossexuais ou não. E caso tenham nascido homossexuais, que recebam ajuda dos pais, da família e psicológica para levar adiante a sua condição. Mas não acho que elas deveriam ser levadas a acreditar que são uma coisa ou outra, e no vídeo, aquelas crianças estão obviamente sendo conduzidas a encarar como normal a opção sexual – e não acredito que homossexualismo seja, realmente, uma opção, e sim uma condição, que para mim, vem do lado espiritual, muito mais do que do lado físico. Nem se quisessem, os gays poderiam se transformar em heterossexuais, penso eu.



O que acontece nos dias de hoje, é que existe um modismo a esse respeito. Todos que já foram jovens um dia e se lembram disso, sabem muito bem que os jovens não querem ser classificados como “caretas” ou “CDFs.” Os jovens querem ser aceitos, “estarem na onda” e fazerem parte do que for considerado rebeldia. Eu já tive a minha época de rebeldia, na qual eu matava aulas, não confiava em ninguém com mais de trinta anos e fumava como uma forma de me sentir transgressora das regras impostas pelos pais e pela sociedade. E eu fazia aquelas coisas apenas porque eu achava que assim seria vista pelos outros jovens como moderninha. Na verdade, eu nem gostava de fumar, e me sentia sempre culpada ao matar alguma aula.



Creio que essa síndrome gay dos dias de hoje tem seus dias contados.



Hoje em dia, ser gay virou moda. Se eu fosse gay, me sentiria muito incomodada a esse respeito, pois sentiria como se estivessem troçando da minha condição e invadindo a minha praia sem conhecimento de causa. Gays não são aberrações. São apenas pessoas que têm relações sexuais com outras pessoas do mesmo sexo. Não são necessariamente promíscuos, bizarros, estranhos e nem têm a intenção de chocar os outros ou de transgredir regras. Pelo menos, os gays que conheci e com quem mantive amizade até hoje, são assim. São pessoas normais. Nem melhores nem piores do que eu ou você. Não usam sua sexualidade como uma bandeira, como se isso fosse alguma vantagem sobre os outros. Gays são pessoas que trabalham, produzem, têm sentimentos, amam, odeiam. Como todos nós. Não acho que ser gay signifique ser superior. As pessoas tornam-se melhores através do caráter que cultivam, não de sua sexualidade.



E existem aqueles que não vão aceitar os gays de jeito nenhum. Até toleram suas presenças, trabalham com eles, cumprimentam-nos no elevador, mas vão sempre enxergá-los como diferentes. Nada pode ser feito a esse respeito. Os que pensam assim foram educados para tal, e tentar forçá-los a aceitar um comportamento com o qual eles não concordam, também é uma forma de violência. O que podemos fazer, é educar as crianças de hoje para que no futuro esse pensamento mude, mas não é na escola que isso deve acontecer, e nem da forma que aparece naquele vídeo, e sim em casa.



E se eu fosse homossexual, ao invés de tentar impor a minha presença entre os que não a toleram, eu fecharia a porta da minha vida a tais pessoas e tentaria ficar entre os que me amam e me compreendem como eu sou. Não ia querer ser aceita. Estou me lixando para quem me aceita ou não. Quero saber é de quem me ama e me compreende.
 
 
 
 

 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

MISTÉRIO



 
Existe um jardim, e nele, uma flor
Que todos procuram
Embora alguns digam que ela não é.

E muito se diz sobre a sua cor:
Vermelha ou azul? De muitas matizes?
Quem sabe, cinzenta...
-Quem sabe, sem cor?

E riem de dia, e choram à noite,
E creem de dia, e negam à noite,
Em busca da flor
Que às vezes se sente.

Procuram a flor, a cor, o perfume,
Sem qualquer vislumbre de onde ela está;
Reclamam da dor, se esquecem da terra,
Também da semente na qual ela dorme
E que eles se esquecem de às vezes, regar.
 
 
 
 
 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

JULGAMENTOS – OU LIBERDADE DE EXPRESSÃO?





Lygia Clark com Bicho projetado para um planeta, no MAM-RJ



JULGAMENTOS – OU LIBERDADE DE EXPRESSÃO?


Decidi que não escreveria sobre este assunto, pois ele já deu o que falar e minha opinião em nada mudará coisa alguma; porém, assim como os que se expressaram até o presente momento defendendo, acusando ou demonstrando neutralidade, sou apenas mais uma que tem o direito de se expressar, mesmo que minha opinião seja apenas uma voz clamando no deserto entre tantas outras.

Acima, está a obra de Lygia Clark, tão comentada recentemente após uma performance no MAM onde um ator nu era tocado por uma menina de cinco anos, incentivada pela mãe. Eu me pergunto o que a obra original tem a ver com a performance do ator. Admitindo que nada entendo sobre arte, deixo esta tarefa de explicar a semelhança a alguém que entenda. Mas vamos falar sobre a menina, a mãe e o artista.

Uma menina é convidada a subir ao palco, com a autorização da mãe, diante de câmeras e de dezenas de outras pessoas, a fim de tocar o homem-objeto que está lá. Isto é pedofilia? Alguns dizem que sim, e outros negam, já que a permissão da mãe foi dada à menina. Se este ou outro homem convidasse esta menina para ir até sua casa, incentivando-a a tocar o seu corpo sem o conhecimento da mãe, não seria pedofilia? E em que momento deixa de ser: no momento em que tal coisa foi feita em público, e com a autorização da mãe da criança?

Eu me pergunto quantas crianças estão sendo molestadas neste exato momento, com ou sem o consentimento dos pais (porque muitas vezes, ao tentar relatar o que está acontecendo com elas, os pais não acreditam, e elas se calam). Supondo que o que aconteceu no palco não seja pedofilia, esta performance não estaria pelo menos facilitando o caminho dos pedófilos? “Pode me tocar, é arte, é moda! Não tem nada demais.”

Algumas pessoas alegam que aqueles que se manifestaram contra o ocorrido são preconceituosos e fascistas, e não aceitam o próprios corpo; alegam que os índios vivem nus junto à natureza, e não têm pensamentos pecaminosos sobre o corpo. Mas eles se esquecem de que nós não somos índios, e que nosso contexto de vida é diferente. Não saímos nus por aí, pois vivemos em uma sociedade onde existem regras de comportamento, quer concordemos com elas ou não. E se tais regras precisam ser mudadas, estas mudanças não se darão de repente, não serão apenas “engolidas” por quem não concorda com elas através da imposição e da força bruta – isto também poderia ser considerada uma forma de fascismo.

Não vivemos em um mundo perfeito. Infelizmente, existem entre nós estupradores e pedófilos. Acreditar que o que aconteceu naquele palco é apenas arte e liberdade de expressão, é facilitar o caminho destas pessoas.

Também li opiniões de pessoas que defenderam a performance, alegando que a culpa de toda esta polêmica é da Rede Globo golpista, que espalha o falso moralismo, a intolerância e o preconceito. Creio que depois de postarem suas opiniões, tais pessoas foram para casa assistir aos programas da GNT, um canal de TV que defende a arte, a liberdade de gênero, sexual e de expressão. Só não sei se elas sabem que este canal pertence à Rede Globo golpista...

Uma outra alegação que encontrei, é que ninguém é obrigado a ir até lá e ver a performance. Concordo plenamente! Mas o que está sendo julgado nas redes sociais não é a performance em si, mesmo sendo ela de extremo mau gosto, mas o fato de que havia uma criança envolvida.

E houve quem dissesse que tal criança teve a autorização da mãe e concordou com o ato, e que por isso, não é da conta de ninguém o que aconteceu. Novamente, eu me pergunto: até que ponto esta criança tem maturidade o suficiente para decidir o que é certo e o que é errado?

E mães não erram nunca? Ela não pensou que havia câmeras no local, e que poderia estar expondo sua filha? Fico pensando o que esta menina pode estar vivenciando neste exato momento com toda esta exposição, na escola, no parquinho e nas ruas, além das redes sociais, e o que toda esta exposição poderá causar a ela agora e no futuro.

Não posso concordar que “não é da conta de ninguém o que aconteceu”, pois tudo o que acontece nos dias de hoje causa um grande impacto na sociedade, devido a divulgação nas redes sociais. E a cena com certeza chegou aos olhos de várias outras crianças, que não têm, assim como a criança envolvida, discernimento suficiente para decidir entre o certo e o errado. Elas olham as fotografias na internet (crianças raramente leem textos longos dirigidos a adultos, e se o fazem, não conseguem compreender seu teor), e podem concluir que se está na rede, é certo. Assim, elas abririam caminho a pedófilos e seus abusos.

Quanto a liberdade de expressão, infelizmente existe uma regra nas redes sociais entre todos os que são extremistas, seja de esquerda ou de direita:

“VOCÊ TEM TODO O DIREITO DE SE EXPRESSAR, DESDE QUE CONCORDE COMIGO.”

E quem atravessar tal limite, estará se arriscando a ser criticado, apontado como fascista, coxinha, esquerdopata, preconceituoso e ignorante. Mas eu acho que quem está na chuva é para se molhar; caso contrário, o melhor a se fazer é desligar o computador e guardar seus pensamentos em uma gaveta.

Ana Bailune

Acima, "O Bicho", de Lygia Clark. Julguem por vocês mesmos o que a obra da artista tem a ver com a performance do ator.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Reclamar Por Que?






Nós, brasileiros, estamos acostumados a não reclamar quando somos mal atendidos ou quando sentimos que os nossos direitos de consumidores estão sendo violados. Muitas vezes, escuto coisas como: "Reclamar para que, se existem tantas outras opções para se escolher?" Ora, exatamente por isso! Com tantas opções para se escolher, nós optamos por escolher algum estabelecimento que não leva em consideração a nossa escolha e nos desrespeita. Perdemos nosso tempo, nossa paciência e muitas vezes, o nosso dinheiro.

Temos que reclamar sim! Seja ao gerente, ao Serviço de Defesa ao Consumidor, ou a quem quer que seja responsável pelo inconveniente. E se não formos ouvidos ou respeitados ao reclamarmos, hoje em dia temos a opção das redes sociais. Porque um desserviço deve ser apontado como tal. 

Há alguns dias, meu marido comprou um pacote de macarrão. O produto era importado e caro, e quando abrimos o pacote, estava cheio de bichos. Fomos ao mercado, e o gerente imediatamente fez a troca do produto. Se tivéssemos ficado quietos, jogando fora o macarrão, teríamos perdido o nosso dinheiro. Talvez alguém diga: "Ah, mas era só um pacote de macarrão!" Não era não! Ele custou, além do nosso dinheiro, a gasolina e o tempo que gastamos para ir até lá e um almoço de domingo frustrado. 

Em primeiro lugar, a fim de fazermos uma reclamação, devemos conhecer os nossos direitos, e muitas pessoas (a maioria delas) não conhecem os seus. O Código de Defesa ao Consumidor está disponível online para ser consultado, e também há vários sites que atendem aos consumidores, como o Reclame Aqui. Mas antes, acho que a reclamação deve ser feita junto ao gerente local, com discrição, e apenas levada ao extremo (advogados, redes sociais ou serviços de defesa ao consumidor) quando não atendidas. 

Quando deixamos de reclamar por maus serviços prestados, alimentamos uma linha de comportamento que não obriga aos prestadores de serviço a melhoria no atendimento; é aquela história: Para quem qualquer coisa serve, qualquer coisa será servida. 

Acho até que todos que reclamam, quando ouvidos, prestam um serviço ao estabelecimento em questão, pois a reclamação poderá ser analisada e utilizada para promover mudanças positivas, e quem sabe, um programa de treinamento de funcionários. 

Muitas vezes, as pessoas não reclamam; porém, não voltam ao local, e ainda deixam de recomendá-lo. E quem prestou o mal serviço, pensa que está abafando, só porque ninguém reclamou ainda. Mas ao escutar atentamente uma reclamação, os responsáveis pelo estabelecimento poderão analisar seus serviços a fim de melhorá-los. 

Meu marido me disse que quando um estabelecimento recebe elogios, tais elogios alcançam em média cinco pessoas; mas quando ele recebe uma crítica negativa, esta alcançará um número muito maior, o que pode ser muito ruim. 

Vamos reclamar, sim! Mas que as nossas reclamações sejam justas e não apenas depreciativas. Reclamemos, todas as vezes que nos sentirmos ignorados, humilhados, enganados ou prejudicados de alguma forma. Acho que também é assim que se começa a mudar um país. 



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Veneza Não é Triste


Parte do nosso grupo na chegada a Veneza







Estavam todos espalhados pela estação de trem de Veneza; alguns em lojas e outros (os homens) resolvendo as passagens de volta no final do dia. Comecei a andar por ali sozinha, tentando sentir o ambiente (sempre gosto de sentir os lugares onde estou) até que cheguei à saída da estação, parando no topo de uma escadaria larga, e vi Veneza pela primeira vez. Meus olhos se espalharam sobre ela, e eu quase engasguei com tanta beleza. Meu marido tinha me pedido para não ir muito longe, mas eu não resisti: de repente, eu estava descendo as escadas e começando a tirar as primeiras fotografias. 

"É nós!"


Me encantei por uma gaivota, que mansa, chegava aos pés das pessoas e ficava ali, parada, sem nenhum medo. Mas é claro, uma menininha não muito bem educada chegou e começou a chutá-la, espantando-a. Olhei para a mãe de cara feia, mas ela só fez cara de paisagem e riu da “gracinha” da menina. Fui para o outro lado, e respirei fundo aquele dia, tentando esquecer o ocorrido. Afinal, eu estava ali para muito mais do que aquele triste evento isolado. 

Primeiras impressões


Ainda fiquei por ali durante algum tempo, me esquecendo de tudo o mais em volta, e quando finalmente dei por mim e voltei à estação, meu marido já estava nervoso, a minha procura. 



Olhem só a beleza desta grade!


Depois de tudo resolvido para a nossa volta de trem, começamos a nossa caminhada por lá, e a cada coisa que eu olhava, cada pedacinho de paisagem, cada curva e espelho d’água, a única coisa na qual eu pensava era a velha canção de Charles Aznavour que dizia que Veneza era triste. 

Descobrindo as gôndolas. Início do passeio

Veneza não é triste. É um lugar que espelha o céu o tempo todo. As pessoas que caminham por lá estão todas felizes, rindo, tirando fotografias, passeando, se encantando com tudo o que podem ver. As gôndolas, tão tradicionais, são um espetáculo à parte: há alguns gondoleiros que se denominam “cantantes”, e eles cantam enquanto conduzem as pessoas. 

Um belo cantinho

No início, eu não queria ir no passeio de gôndola, pois tenho um medinho de barcos e de água devido a um incidente na Ilha de Marajó há alguns anos. Quando entrei, a gôndola balançava muito, e me agarrei à borda; mas conforme avançávamos suavemente pela água, eu relaxei e me deixei levar. E vi que é tudo igualzinho vemos nos programas de TV e fotografias: as pessoas realmente deixam suas roupas penduradas às janelas, e tudo é muito, muito antigo. 


maravilhosa!

No avião, assistindo a um documentário sobre Veneza, descobri que as estruturas da cidade estão ameaçada pelas ondas provocadas pelos barcos e grandes transatlânticos carregados de turistas, mas que existem campanhas de moradores tentando bloquear a entrada dos mesmos, e incentivando as pessoas a conhecerem a cidade a pé. Andar a pé é muito melhor! Temos tempo de sentir o lugar, falar com mas pessoas, entrar em bares e restaurantes, lojas e ruazinhas escondidas. 

Muitos restaurantes!



Há alguns anos, dizia-se que os canais de Veneza não cheiravam bem; meu marido percebeu isso apenas nas passagens mais fechadas e escondidas, e eu, como estava gripada, não senti cheiro nenhum, mas teria sentido se fosse muito ruim, pois tenho um nariz bem sensível. O que eu vi, foi a água verde refletindo o céu. 


Fico me perguntando se um dia voltaremos a Veneza. Eu gostaria muito! Veneza não é triste: é mágica! Adoraria passar uma noite por lá. Quem sabe, um dia?



Misteriosa







Pequeno detalhe



verde, verde...



Lindas construções



Triste??? De jeito nenhum!



Lindo, lindo...



Alguém que se encantou com uma ruazinha. Uma turista japonesa.



menininha pestinha...

sábado, 30 de setembro de 2017

Uma tarde em Como





Visitar Como foi como estar, de repente, em um cenário de cartão postal. A gente não sabe para onde olha, e não consegue decidir o que é mais encantador: se o lago de Como, as casas antigas, as ruas arborizadas, a atmosfera antiga e mágica... naquele dia, éramos quinze pessoas no grupo, e fomos todos de trem de Milão para Como. Chegando lá, fomos em um passeio de barco imperdível pelo lago, no qual tentei, ao mesmo tempo, acreditar que estava realmente ali, enquanto fotografava, filmava e ficava maluca com tantas paisagens deslumbrantes. De verdade, a gente não sabe para onde olhar, e querer captar o máximo possível de imagens com a lente da câmera, mas sobretudo, com a lente do coração, para não esquecer jamais.



Antes do almoço, estávamos passando por uma loja de departamentos no centro, indo em direção a uma igreja que iríamos conhecer, quando alguém olhou na vitrina e anunciou; “Gente! Olhem só que promoção! Compre três peças de qualquer valor e pague apenas 1 euro na terceira peça!”  Foi o suficiente para que entrássemos na loja e passássemos a vasculhar prateleiras, entrar e sair de cabines, encher os braços de lenços e echarpes lindíssimos que estavam à venda, enfim, quase deixamos as funcionárias da loja malucas. 






Acho que elas devem ter dado graças depois que saímos... duas horas depois, já que estava ficando tarde, esquecemos a igreja e decidimos que seria melhor conhecer a parte alta da cidade, que acessamos através de um teleférico.


O TELEFÉRICO POR DENTRO


Maravilhoso! A vista era simplesmente deslumbrante! Do teleférico, nós olhávamos lá para baixo e era como se a cidadezinha e seu lago estivessem em um postal. Nunca pensei que um dia conheceria um lugar tão lindo. Acho que é o lugar mais lindo que já visitei.




Quando chegamos lá em cima na parte alta e saímos do teleférico, a segunda parte do encantamento começou. Mal pusemos os pés no chão, um sino começou a tocar. Era um sino de igreja, e ele tocava uma música linda. O sol estava se pondo – eram quase seis da tarde – e a maioria dos turistas já tinha ido embora. Estávamos praticamente só nós lá em cima, e os moradores. 






Tirei fotos lindas! Felizmente, gravei essa chegada, a parte na qual o sino estava tocando e as badaladas logo depois. Para mim, foi como se alguém me dissesse: “Viu? Você está aqui! Vocês conseguiram! Sonhos acontecem!” 




Continuamos subindo a ruazinha à pé, e chegamos a uma igreja lá no alto. Eu entrei nela, pensando que tinha sido dali que os sinos tinham soado. Quando entrei, ela estava escura e vazia, e uma música sacra vinha de algum lugar, bem baixinho. Apenas o altar estava iluminado, e fui me aproximando dele devagarinho, sentindo o clima de paz e silêncio exalado pelo lugar. Em pouco tempo, meus olhos se acostumaram à escuridão, e pude notar a beleza das pinturas no teto e nas paredes, a riqueza das imagens e demais detalhes.




Não sou uma pessoa religiosa, e geralmente, não gosto de igrejas e templos. Mas lá estava eu, e havia um motivo por trás de tudo aquilo. Eu senti que não estava ali por acaso. Era como voltar para casa após muitos e muitos anos longe. Então eu me sentei e agradeci. Quando dei por mim, estava chorando feito criança, mas de alegria. Eu não estava sozinha naquela igreja, e disso eu tenho a mais absoluta certeza. Só quem viveu uma experiência assim saberá do que eu estou falando.
Quando saí, abracei meu marido e disse a ele o que tinha acontecido. Então ele me confessou ter tido a mesma experiência, minutos antes.



Ainda tivemos tempo de fazer um amigo – um gato amarelo e branco, muito manso, que estava pelos arredores da igreja, com quem brincamos e tiramos fotos. O engraçado, é que semanas antes da viagem, meu marido me disse que ele tinha tido um sonho estranho: brincava com um gato, que fugia dele e dava-lhe tapinhas com a pata, mas sem arranhá-lo. Aquele gato fez exatamente aquilo! Enquanto meu marido tentava se aproximar, ele entrava e saía de um vaso de planta, escondendo-se entre as folhagens e depois aparecendo de repente, dando patadas no meu marido.





Pena que nosso tempo era curto, e deveríamos ir embora logo, pois tínhamos um trem a tomar. Mas uma parte de mim ficou naquela igreja, voando sobre a superfície daquele lago, pairando sobre aquelas montanhas, vagando feito um fantasma por entre aqueles prédios e árvores, sentando-se nos telhados para ver o sol se por. E acho que esta parte de mim jamais sairá de Como. Quem sabe, um dia eu possa voltar lá para revê-la?  Foi um privilégio ter estado naquele lugar, ter visto o que eu vi e sentido o que eu senti.




Um dia, eu quero voltar a Como.




Como? Quando? Eu não sei.



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

DESAFIO - A MISSÃO






O convite foi da Rosélia; o desafio foi proposto pelo Toninho... (blog 
http://toninhobira.blogspot.com.br/2017/09/bc-raio-x-462017-reviver-emocoes.html)

...e pela Silvana (blog http://meusdevaneiosescritos.blogspot.com.br/) 

-Já chorou com temas de filmes ou novelas?- 

Apesar de não ser muito manteiga derretida, é claro que alguns filmes me fizeram chorar... destaco o filme “Sob o Sol da Toscana” – a cena final sempre me faz chorar, mesmo que eu o tenha assistido umas quinze vezes. O tempo todo, a heroína da história está a procura do amor verdadeiro, após um divórcio traumático por ter sido traída por um marido que confessou nunca tê-la amado de verdade. Ela se muda para a Itália, onde compra um velho casarão e passa a reformá-lo, o que faz com que sua vida mude totalmente. 

(Detalhe: este filme me fez querer conhecer a Toscana, e a Itália).

 Então um amigo conta a ela a história de alguém que vivia tentando capturar joaninhas sem ter sucesso, até que um dia tal pessoa adormeceu no jardim e acordou coberta de joaninhas que passeavam sobre ela.  Ele quis dizer que não vale a pena procurar demais, porque o que é nosso, a vida há de trazer. Não é sábio forçar situações, pois elas acontecem se e quando nós estivermos prontos para elas. 

 E a última cena do filme é justamente assim: durante uma festa de casamento em sua casa, Francis (a heroína)  senta-se para relaxar no jardim e fecha os olhos. Acorda com alguém falando com ela. É um belo rapaz, que pede licença para tirar uma joaninha que está passeando sobre o braço dela. E então eu... buáááá!

A história é linda, e nos ensina que nem sempre aquilo que pedimos à vida nos vem da forma como pedimos, ou na hora que pedimos, mas que a vida nos escuta, e providencia o que é melhor para nós. Para mim, meu recente passeio à Itália, após muitos anos de sonhar e sonhar com ela, foi uma grande realização. Estar lá e relembrar as cenas do filme foi mágico. É um lugar que eu jamais esquecerei, assim como o filme.






Exageros

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