sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Margem






Margem


Ah, margem da minha vida!
Minhas águas vão passando,
Expostas ficam as coisas
Que se prendem nas ramagens
Dessas minhas pobres margens
Quando baixa a correnteza!

Ah, margem de minha tristeza!
Mas também as alegrias
Deixam sempre seus pedaços,
Fios coloridos, traços
Nessa margem que me guia!

Ah, margem do meu regaço,
Onde perdem-se os abraços,
E os ecos de mil passos
Que não voltam nunca mais
Ressoam na minha alma!

Ah, margem de águas calmas,
Onde eu me sento, calada,
Assistindo, enquanto passa,
Minha vida, afogada
Na corrente dessas águas!



Arrumando as Prateleiras






Tenho umas prateleiras sob as escadas que levam ao segundo andar da casa, onde guardo meus livros e discos de vinil. Há muito tempo vinha planejando arrumá-las e limpá-las, mas com tanto a ser feito em uma casa, mais o meu trabalho com as aulas, sempre acabava 'empurrando a tarefa com a barriga.' 

Mas finalmente, tomei algumas horas para colocar tudo em ordem. As prateleiras abarrotadas de livros que eu puxava e depois, não recolocava no lugar certo por falta de tempo. Discos de vinil cujas capas empoeiradas cheiravam a bolor. Tirei tudo, tudo do lugar, e comecei a árdua (?) tarefa... 

Foi como reencontrar velhos amigos: lá estavam livros que modificaram minha vida e ajudaram a formar o meu caráter, como "Ilusões", de Richard Bach, e "O Profeta", de Khalil Gibran. Maravilhoso e mágico, reler trechos de "O Convite", de Oriah Mountain-Dreamer. Uma delícia, rever Lia Luft, as incríveis memórias de Louis Bourne, os poemas de Cecília Meireles e Fernando pessoa. 

Adorei perder-me novamente nas "Memórias, Sonhos e Reflexões" de Jung. Aproveitei para checar o significado de meus sonhos, nos muitos livros que tenho sobre o assunto, e senti arrepios ao reler meus muitos contos de terror. 

Peguei uma receitinha para o jantar com Sônia Hirsch e reaprendi sobre vinhos relendo trechos dos três livros que comprei quando montamos a nossa adeguinha. 

Separei romances que quero reler um dia. Tirei o pó de cada livro e de cada disco - oh, meu Deus, preciosidades, como o primeiro LP dos Beatles! Relembrei minha adolescência com as coletâneas de músicas de discoteca e minha coleção de discos do Queen, Elton John, Rod Stewart, Supertramp, Barbra Streisand, Guilherme Arantes, Maria Betânia... e, lá no fundo da prateleira, achei a caixa com minhas contas, cristais, pedras, fios e miçangas, da época em que eu fazia colares. Pensei em voltar a fazê-los, quem sabe?... 

Quando terminei, já começava a escurecer. Próximo objetivo: o armário de CDs.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Na Minha Boca





Na minha boca, não ponhas palavras, 


Nem mordaças. 


Não tente refrear-me a língua, 


Ou calar a voz que perpassa 


Teus tímpanos insensíveis. 



Na minha boca, não te alimentes, 


Nem sequer tentes, 


Pois hei de destilar o veneno 


Que há de matar essa coisa 


Que se move nesse peito 


Assaz pequeno. 



Na minha boca, não vasculhes 


A procura do que esperas 


Que eu te diga, e que não quero... 


Pois de ti, eu nada espero, 


Nem sequer que tu me ouças, 


Pois teu nome já calou-se 


Há tempos 


Na minha boca. 










*

Meu Erro





Esperei que o mar 


Fosse doce 


(Embora não fosse). 


Eu pensei que o vento 


Traria perfumes, 


Mas não trouxe... 



Desejei que uma flor 


Se abrisse 


E jamais murchasse, 


Desejei que o tempo 


Não passasse... 



Eu pensei que o amor 


Compreendesse 


Sempre, incondicionalmente, 


Mas o amor esqueceu-se 


De amar; retirou-se 


Ao trazer consigo 


O castigo, 


Desamou-se... 



Quisera abraçar e trazer 


Sempre comigo, 


A certeza tranquila, 


A esperança trançada 


Nos cabelos! 



Mas a trança desfez-se, 


A esperança partiu-se 


Em pedaços pequenos 


Cortados em foice... 



E de erros em erros, 


O que eu esperava 


Tornou-se pó, 


Foi soprado sem dó 


Pela boca profana, 


Pela voz rouca, louca 


Sussurrante. 














quarta-feira, 29 de agosto de 2012

FOBIAS






Todos temos fobias. Eu, por exemplo, tenho fobia de aranhas e de altura. Lembro-me uma vezes em Brasília, quando, em visita ao Monumento JK, resolvi tirar uma foto de pé sobre a mureta que cercava a entrada - uma escadaria que conduz ao subsolo. Enquanto caminhava sobre a mureta, comecei a sentir-me tonta e enjoada ao olhar os degraus lá embaixo ,e os joelhos começaram a tremer. Meu marido teve que ir em meu resgate, ou eu acabaria caindo lá de cima. Eu nem sabia, antes daquele episódio, que eu tinha medo de altura!



Estou usando um artigo sobre estranhas fobias em minhas aulas desta semana, e surpreendi-me ao ler sobre pessoas famosas e suas fobias;  a atriz Megan Fox, por exemplo, tem fobias de pessoas respirando perto dela. Será que ela preferiria que as pessoas não respirassem? Talvez assim ela pudesse sentir-se mais confortável, suponho... a moça também confessa ter pavor de tocar em papel seco, e precisa molhar os dedos a fim de virar as páginas de seus scripts. Nossa!

Também há pessoas que tem medo de frutas, botões, antiguidades (o ator Billy Bob Thornton não entra em lugares onde haja mobília pertencente a épocas anteriores aos anos 50) e outros medos absurdos. Por incrível que pareça, há, nos Estados Unidos, mais de 250,000 pessoas sofrendo desta estranha fobia de antiguidades... incrível como somos loucos!




Algumas pessoas desenvolvem fobia de multidões. Bem, eu também não me sinto lá muito confortável quando estou no meio de um monte de pessoas, e evito este tipo de situação sempre que posso; mas não chego a ter pânico.

Conheço uma pessoa que tem muito medo de insetos. Qualquer um deles. E uma outra (homem) que tem pavor de mariposas, e sai correndo, dando o maior 'piti' se alguma delas entrar pela janela.

Dizem que  a melhor maneira de perder o medo de alguma coisa, é enfrentando-o. Às vezes, dá certo. Por exemplo, eu costumava ter muito medo de usar escadas rolantes quando era jovem. Um dia, meu namorado (atual marido) descobriu meu medo, e obrigou-me a passar um tempo subindo e descendo de uma escada rolante várias vezes, até que eu consegui perder o medo. 

Há um programa em um canal de TV a cabo onde as pessoas vão a fim de perderem seus medos... os métodos são bem radicais, ou seja, eles são forçados a confrontar seus medos. Um dia, uma mulher que tinha pavor de aranhas (como eu) teve uma caranguejeira viva colocada em seu braço.

 Nem pensem em fazer isso comigo! Prefiro morrer com medo.






terça-feira, 28 de agosto de 2012

Dona Franci





Eu, lendo um discurso no dia do aniversário de D. Franci - ao lado de sua filha vera, D. Franci e seu colar de botões




Quando eu e minha irmã éramos pequenas, nossos pais não podiam pagar uma escola particular. Mas nós estudamos durante cinco anos em uma das melhores escolas particulares de Petrópolis naquela época, o Colégio Progresso. Graças à diretora da escola, Dona Franci (Francisca Ferreira de Souza). Assim como nós, havia muitos bolsistas naquela escola. Tinha até uma família de indiozinhos amazonenses. Ela tinha também uma classe para alunos especiais, que em 1971, ainda sofriam todo tipo de preconceito... lembro-me de como a Dona Franci e as demais professoras sempre faziam a interação entre nós - as crianças "normais" e os alunos excepcionais...

Ela adorava seu trabalho. Na hora do recreio, ela ficava em um ponto mais alto do pátio, observando as crianças brincando, e quando acabava o recreio, de vez em quando ela anunciava: "Mais dez minutos extra!" E era a maior festa!
Ela tratava a todos igualmente, e com muita educação, fosse criança ou adulto, rico ou pobre. Se alguém dizia que ia sair da escola porque não podia mais pagar, ela logo vinha com um bom desconto. Lembro-me que conosco, foi assim: minha mãe não podia pagar mais as mensalidades, e ia tirar-nos da escola; ela foi dando descontos e mais descontos, e quando minha mãe finalmente anunciou, muito envergonhada, que não poderia pagar de jeito nenhum, ela não hesitou: pediu à secretária que trouxesse nossos carnês de pagamento e rasgou a ambos. Simples assim. E determinou: "A partir de hoje,  elas não pagam mais mensalidades."
Lembro-me de uma sala de aula enorme que tinha lá, a Sala do Turmão. Tinha um piano, e algumas vezes por semana, ela reunia todos os alunos de algumas classes para ensinar hinos: o Hino à Bandeira, o Hino Nacional, o Hino do Soldado, o Hino da escola... ela sentava-se ao piano, a professora escrevia a letra no quadro, nós copiávamos e cantávamos. Nunca me esqueço: "Companheiro, entoemos um hino/Que ressoe com grande sucesso/Que cantemos com força e entusiasmo: /Viva o Colégio Progresso!" E assim nós cantávamos, até o final...
Tenho várias fotos de mim mesma, lendo para ela homenagens em seu aniversário (eu era sempre escolhida para ler, pois era a que lia melhor entre os alunos). Ela sempre chorava durante essas homenagens!
Um dia, adoeceu. Nós, alunos, não sabíamos direito o que ela tinha. Quando ela morreu, foi um choque para todos, pois eu tinha ido visitá-la no hospital na semana anterior com minha mãe e minha irmã. Chegamos a escola um dia de manhã, e estava tudo fechado. Os alunos passavam a notícia: "Tia Franci morreu!" 
Infelizmente, após a sua morte, a escola foi decaindo... cortaram todos os alunos bolsistas - incluindo minha irmã e eu. Alguns anos depois, a escola fechou.
Parte do prédio ainda existe, e não existe uma única vez que eu passe por lá e não me lembre da Dona Franci. Graças a ela, eu me tornei Ana Bailune.

Rapidíssima Crônica










Porque está ameaçando chover forte, e ouço trovões ao longe. Não quero perder mais um computador por causa de uma descarga elétrica. 


É que me lembrei de quando eu era criança, e me escondia sob a mesa de madeira da cozinha quando dava trovoada. Ficava olhando os chicletes colados sob ela e procurando me acalmar, tampando os ouvidos. 


Lá fora, o céu está cimentado. Nenhuma folha se mexe nas árvores. Meus cães estão nervosos na varanda. Parece que a natureza está grávida, mas que o filho não quer nascer, e os trovões são as dores do parto, um parto muito difícil. 


Quero ter terminado esta crônica-relâmpago bem antes da parturição. Algumas gotas bem fininhas, destas esvoaçantes que parecem pedacinhos lascados de vidro, já começam a cair. 


Uma vez vi um filme, há séculos atrás, no qual a heroína, a fim de suicidar-se, ia para a sacada de seu quarto durante uma tempestade magnética e era atingida por um raio. Totalmente 'chocada' e eletrificada, morreu nos braços do amante (que deve ter tomado muitos choques)... 


Mais um trovão. Parece dizer-me: "Desligue este computador enquanto é tempo!!!!" 


Em 1981 tivemos uma época de muitas tempestades e mortes aqui em Petrópolis. Quase todo mundo conhecia alguém que tinha morrido em uma enchente ou desabamento. Foi perto do Carnaval, uma época de muita dor. Veio ajuda até da Europa, caixas e mais caixas de agasalhos, comida, sapatos... 


Mesmo assim, as tempestades me fascinam. repito: "Gosto delas, mãe, eu gosto!" Como fez Khalil Gibran. 


Uma vez, quando eu ainda era uma adolescente, estava armando uma tempestade. Minha mãe estava terminando de limpar a sala de estar, e o cheiro de cera perfumava a casa. Foi uma tempestade de vento, e muitas casas perderam seus telhados, inclusive a nossa. Era água de chuva entrando pelo forro de madeira, as telhas voando para longe, e o encerado de minha mãe virando mingau... 


No começo, assustei-me com a barulho das telhas sendo arrancadas, mas depois, comecei a gostar... apesar dos xingamentos da minha mãe. Era uma sensação de perigo, aventura, o mundo totalmente fora de controle, como se um Mago estivesse passando e lançando um feitiço. E nós, totalmente à sua mercê. 


Agora vou desligar. Ainda nem terminei de pagar as prestações deste computador!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

VOCÊ SE FOI!






Amarrei os teus pés
À minha memória,
Colei os teus olhos
Sobre esta paisagem
Que juntos, miramos
Tentando evitar, num sonho,
A inevitável viagem.

Gravei tua voz
Por sobre estas pedras
Com todos os ecos
Dos quais me lembrei...

Deixei os teus passos
Por este caminho,
Sangrei de espinhos
Aquela palavra
Para não haver despedidas...

Enfim, veio a vida
E te levou
Junto com ela,
Foi apagando e te afastando
Sem piedade,
Soltando os laços
E me deixando
Só a saudade!

Você se foi,
E isto é tão real!...
Se algo ficou?...
Passos sem pés,
No meio do quintal,
Vozes caladas
Por sobre as pedras,
Olhos fechados
Por sobre a paisagem.

Só permaneceram
Dentro de mim
As memórias presas no fio
Tão frágil
Que tu deixaste...
Fatalidade!

Canto de Rolinha







Há um canto de rolinha
No fundo desse dia azul
Crivado de passarinhos,
E ele me chega
Junto com o perfume
Das flores de laranjeira.

Dia ensolarado,
Belo, preguiçoso!
Há tanta beleza
No verde das árvores,
Mas junto com ela
Há toda a tristeza
Do canto da rolinha.

Ah, como eu queria
Que essa rolinha
Voasse para longe!

Ficarão Meus Poemas





Ficarão meus poemas
Espalhados na rede
Nas placas de memórias
Do meu computador...

Centenas de histórias
Algumas, risíveis,
E outras tão tristes,
Escritas na dor...

Ficarão meus poemas
Em muitos cadernos
E folhas esparsas
Datilografadas...

Escritos em livros
Como anotações
Ou capas de discos
E papel de pão...

Ficarão meus poemas
No meio da estrada...
Palavras rasgadas
Que o vento levou.

E um dia, esquecidos,
Amarelecidos
Serão deletados
Pra sempre varridos!

Haikais











Sino de vento
Corta a brisa e o momento
Tilinta de dor.

*
Três nuvens no céu
Levadas pelo vento
Sumindo no azul.

*

Triste sabiá
Que sem cauda e sem canto
Vem me visitar...
***

Lixando a Grade





Há quanto tempo escuto o ruído do rapaz que lixa a grade na casa vizinha? Mais de duas semanas, eu acho... e nem é uma grade muito grande... fica na porta da cozinha, e deve ter mais ou menos um metro de comprimento. Barrinhas de ferro paralelas e espaçadas. E ele lixa, lixa, lixa... arranca toda a tinta antiga, com paciência e eficiência, mas sem nenhuma ciência. Acho que ele medita. Não tem pressa de acabar.

Eu mesma, já não consigo controlar a ansiedade de ver a grade pintadinha de novo. Mas o homem apenas lixa, lixa, lixa. 

Antes, era o ruído de uma faquinha que ele usava para arrancar a camada mais grossa da tinta envelhecida. Aliás, várias camadas, todas sobrepostas, por anos e anos de pintura inadequadamente feita. Porque os pintores anteriores não lixaram a tinta velha antes de passarem a nova. E a faquinha batia no ferro, compassadamente, quebrando o silêncio da manhã, entrecortada pelos passarinhos. 

Uma visita me perguntou que barulhinho era aquele, e eu mostrei a ela o homem que raspava (agora, o homem que lixa). 

Penso: "Por que ele não usa logo um maçarico e acaba com isso? Quem, afinal, se importará se uma gradinha de nada como aquela foi totalmente lixada, a tinta velha totalmente removida? E se fosse uma grade extensa, medindo quilômetros, como a do meu outro vizinho?" Mas ele, alheio às minhas especulações, concentra-se em seu trabalho de lixar.
O homem que lixa está se lixando para o mundo...

domingo, 26 de agosto de 2012

Matéria dos Sonhos








O capim não cresce à toa
Por onde os sonhos pastam.
Há que se cultivar bem
O solo, plantando as sementes
Cuidando para que não as levem
No bico, os pássaros.

Há que se cultivar com cuidado
O alimento do sonho
Para que não mingue,
Para que não morra  
De fome.

Alimentado e crescido,
O sonho, para ser real,
Às vezes  precisa aprender
A ignorar as profecias
Do Mal.

E, se sobreviver,
Antes de tornar-se real,
Deve o sonho ser aquecido
Bem junto ao coração que pulsa,
E que lhe dê coragem
De ganhar espaço.

Ás vezes, é preciso cortar laços.

Mas um sonho perdido em um campo vazio,
Sem que ninguém o alimente,
É apenas um sonho morto.
Reanimá-lo? Nem tente!

Viver é Sentir








Enquanto escrevo,
O sol me aquece as costas,
Raios entrando pela janela
Deitando sobre o teclado...

Sinto o seu calor,
Ouço os sons lá de fora:
Passarinhos, carros, pessoas,
Vejo uma borboletinha
Que voa.

Viver é sentir,
E eu sinto
Exatamente agora
O momento que vivo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Muito Obrigada!








Muito Obrigada!
Meu blog atingiu 20 mil acessos em menos de cinco meses. Para alguns, este número pode não parecer nada, mas para mim, é o resultado do carinho e do reconhecimento das pessoas que me acessaram. A elas, meu mais sincero obrigada! 
Quando comecei meus blogs, não tinha nenhuma expectativa... confesso que até temia um pouco ser totalmente ignorada, como aconteceu em 2008, quando tive minha primeira experiência com um blog, que abandonei e restaurei há pouco tempo, o "Lado do Avesso," que não é meu blog favorito, e sim, meu lugarzinho de catarse.
O Liberdade de Expressão foi construído em ocasião de minha saída do Recanto das Letras - para onde acabei voltando, mas gostei tanto do formato dos blogs (que antes eu detestava) e da liberdade que eles nos proporcionam, que decidi ficar, e considero o blog meu principal espaço na internet - acima do Recanto e do Facebook. É aqui que eu me sinto mais à vontade. 
Adoro ler outros blogueiros, pois sinto que a mesma liberdade que eu tenho, eles também tem. Postamos nossas fotos, textos, pensamentos... indicamos as pessoas que mais gostamos, em  perfeita interação. 
Temos a opção de desligar-nos daqueles com quem não nos identificamos. Eles continuam seus caminhos, e nós, os nossos. 
Podemos postar nossos vídeos favoritos, links para outros sites, enfim, temos toda a liberdade de fazermos aquilo que bem entendermos! E o melhor: de graça. Não precisamos pagar assinatura ou mensalidade.
Ou seja: é bom demais!
Obrigada a vocês que me visitam, muito obrigada!



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Cuidado com o que Você Pede...






Cuidado com o que você pede...


Tem gente que acha que não devemos pedir nada ao orarmos, pois Deus sabe de antemão e muito melhor do que nós mesmos, daquilo que precisamos. Tá bom; concordo até certo ponto. Mas não foi Cristo quem disse que tudo aquilo que fosse pedido em Seu nome, seria atendido?

Bem, eu acho que Ele falou sério. Por isso, sempre peço, tanto por mim quanto pela saúde de meus entes queridos (e nem-tão queridos assim...). E acreditem ou não, quando peço por mim mesma, quase sempre sou atendida. Talvez isso nem sempre aconteça quando peço por alguém, porque a pessoa pode não querer para si a mesma coisa que eu. Eu costumava pedir coisas para os outros, e os resultados eram quase sempre desastrosos, pois eu pedia coisas sem levar em consideração a vontade alheia; então, parei com isso. Hoje, peço apenas saúde e paz e prosperidade para todo mundo. 

Mas como eu ia dizendo, eu quase sempre tenho sido atendida em minhas orações. Ou melhor, até hoje. Nem sempre no momento em que desejo, ou da maneira que desejo, mas quando olho para trás, seja o resultado bom ou desastroso, sempre chego à conclusão de que obtive exatamente aquilo que pedi. 

Isso seria muito bom, se eu fosse esperta o suficiente para, algumas vezes, não pedir coisas estúpidas. 

Por exemplo: um dia, cansada de fazer minha faxina, comentei com meu marido: "Há quanto tempo ninguém faz nada para mim... gostaria que alguém servisse meu jantar, lavasse minhas roupas..." Meses depois, caí doente, e tive que contar com a ajuda de outras pessoas para servir-me o jantar, lavar minhas roupas... 

Numa outra ocasião, eu queria tanto uma determinada coisa, que esqueci de pensar se aquilo seria bom para mim. Lutei, bati o pé, e apesar de tudo estar me conduzindo a um outro caminho, não sosseguei enquanto não consegui o que queria. Foi o maior desastre de minha vida! Perdi tempo, dinheiro, paz de espírito e não obtive nada em troca, a não ser uma grande dose de frustração e aborrecimentos! 

Mas sempre é diferente quando eu peço com fervor e deixo que a vida me guie até aonde eu quero. Nessas ocasiões, pode levar tempo, anos até, e nem sempre acontece exatamente da forma que eu queria, mas quase sempre acontece, e de forma bem melhor... 

Acredito que o pensamento tem força, e mexe com as energias à nossa volta. Quando desejamos algo ardentemente, e fazemos um movimento para obter o que queremos (desde que isso não vá ferir ou prejudicar outra pessoa), o universo se mobiliza para nos trazer aquilo que queremos. Não é muito fácil alinhar nossos desejos de acordo com aquilo que merecemos, mas quando conseguimos fazer isso, parece que os caminhos se abrem. De nada adianta pedir para ser alguma coisa que não tem nada a ver com meu caminho aqui nesta terra. Isso seria estúpido e pretensioso. Tenho que conhecer bem a mim mesma, alinhando meus desejos com o que o universo espera de mim. Não é como ter talento para música e querer ser artesão. Posso até conseguir, mas serei um artesão medíocre. 

As pessoas gostam de usar a palavra "luta" para definir a vida. Tenho até calafrios quando escuto uma coisa dessas, pois se eu acredito que vim aqui para lutar e sofrer, minha vida será exatamente assim. Prefiro associar à vida a palavra "fluir". A vida é um fluxo, quando não entupimos o caminho com nossas idéias absurdas. 

Também de nada adianta pedir as coisas em oração e achar, ao mesmo tempo, que não as merecemos, ou que o Reino dos Céus só pertence aos pobres. Dessa maneira, estarei fazendo dois pedidos controversos, e as forças opostas da minha oração anularão a si mesmas. Por exemplo; conversando com uma pessoa que sofre dores horríveis devido a uma doença crônica, mas que é portadora de grande fé em Deus, perguntei-lhe se ela pedia, em suas orações, para livrar-se da dor. Ela imediatamente respondeu-me que não, pois achando-se merecedora de suas dores, apenas era digna de pedir a Deus que a ajudasse a suportá-las. Ou seja, ela obtém exatamente aquilo que vem pedindo. 

Precisamos, sempre, prestar atenção, tanto às nossas palavras quanto aos nossos pensamentos. Um anjo mensageiro pode estar passando bem ali, naquela hora em que estamos pensando... 




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os Pássaros e o Bullying





Aqui em casa, as portas e janelas estão quase sempre escancaradas. Gosto do ar fresco circulando pela casa, e adoro a vista do jardim e das árvores e montanhas que há por aqui. Bem, mas de vez em quando, a natureza entra em casa sem ser convidada...

Há alguns dias, eu estava trabalhando quando ouvi um farfalhar de asas e o barulho de algo que se jogava contra o vidro da janela da sala de jantar. Corri para ver - já sabendo o que era, pois isto é muito comum aqui em casa - e deparei com um sabiá apavorado, tentando sair. Ele se agarrava na cortina, jogando-se contra o vidro da janela. Como sempre, aproximei-me devagar tentando pegar o pássaro, mas ele voou para longe, 'sujando' as paredes e tapetes da casa... deu um trabalho enorme para limpar tudo depois... bem, mas voltando à aventura aviária: finalmente, consegui pegar o sabiá - que passou a gritar e tentar bater as asas, como se eu fosse, não a sua salvadora, mas um gigante faminto e cruel que ia devorá-la a qualquer momento.

Para abrir a janela, tive que segurá-lo com apenas uma das mãos, mas com medo de feri-lo, acho que afrouxei demais a mão, e ele saiu voando pela fresta aberta da janela; até aí, tudo bem... se ele não tivesse deixado, em minha mão, todas as penas da sua cauda!

Lamentei demais o fato.

No dia seguinte, eu estava trabalhando em minha salinha de aula quando avistei um sabiá sem cauda pousado no muro, me olhando. Logo identifiquei minha pobre vítima. Ele me olhava insistentemente, e senti (ou foi impressão minha?) um certo ar de acusação em seus olhinhos de cabeça de prego.

No domingo passado, meu marido me chama para ver o pobre sabiá sem cauda sendo brutalmente surrado por dois outros sabiás. Toda vez que estes dois 'passam' por ele, caem de bicadas, talvez devido à sua aparência diferente  dos demais pássaros da espécie. 

Resultado: meu pobre amigo está hoje sem cauda, com um dos olhos semi-abertos (ferido) e algumas penas erguidas, como se estivessem espetadas no corpo. Vive das bananas e pedacinhos de pão que jogo para ele, e tem dificuldades em voar. Mas está vivo.

Pois é... às vezes, tentando ajudar, acabamos prejudicando. E é por isso que dizem que de boas intenções, o inferno está cheio.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Águas Turvas





Narciso não afogou-se,


A história é mentirosa... 


Tentou colher uma rosa 


De sua adorada imagem 


Caiu n'água, mas nadou 


Conseguiu chegar à margem... 



Mas a água agitou-se 


Com suas braçadas fortes... 


E ao tentar rever a rosa, 


Pensou ver ecos da morte... 



Narciso apavorou-se, 


E quanto mais medo tinha, 


Mais ele agitava a água, 


Que mais turva se tornava! 



Assim, pensou ver fantasmas 


Que estavam em sua mente 


E empunhando uma espada, 


Lutou contra toda gente... 



E quanto mais ele lutava 


Mais turva a água ficava! 


Perdeu-se de sua imagem 


Pela qual se apaixonara... 



Estúpida criatura, 


Toda cheia de vaidade! 


Se ele se aquietasse, 


A lama se acalmaria... 


E a saudade que sentia 


De si mesmo e do futuro 


Talvez se apascentasse...


terça-feira, 21 de agosto de 2012

CAMINHO



Já passamos por este mesmo caminho diversas vezes. Tantas, que eu sei exatamente o que vamos encontrar após cada curva, e que não importa o quanto este caminho esteja escuro e amedrontante, acabaremos chegando do outro lado sãos e salvos, como das outras vezes. Então, por que temê-lo?

Também sei que podemos permanecer aqui por mais ou menos tempo, mas sempre encontramos a saída, e não estamos sozinhos. Nós temos um ao outro e temos os que nos amam.

O mais importante, é que saiamos deste caminho cada vez mais fortes, e que usemos a experiência para que um dia não mais precisemos passar por ele.

                                                                 *   *   *    *    *


O  Por-do-Sol 
Nunca é o mesmo,

Há novas cores,
Novas nuances,
Novos instantes...

Um novo alguém
Assiste, todas as tardes,
A  um novo por-de-sol...





segunda-feira, 20 de agosto de 2012

CERTEZAS






Existe em mim uma certeza
Que jaz além da certeza,
E uma beleza que descansa
Além da própria beleza...


Há uma rainha que reina


por cima da realeza,
E uma alegria que chora
Por sobre a minha tristeza...

Existe um campo minado
Que explode a cada sorriso,
Existe um reino encantado
Além do peito ferido,

Existe um grito contido
Retido, pronto a nascer
E um choro preso, contrito,
Que ainda há de escorrer...

Para tudo, o seu momento,
E para o momento, o instante...
Nada vem muito depois,
Nada chega antes do antes...

A resposta é uma incógnita,
Mas uma alma avarenta,
Tenta sempre derramá-la
Em cima da minha mesa.

A prostituta certeza
Saiu, e não mais voltou...
Levou consigo uma parte
De tudo aquilo que eu sou.

Eu Vejo o Sol





Caminho a teu lado,
E o sol espalhado
Nas copas das árvores,
E sobre os telhados.

E tu nada vês,
Olhar embaçado,
E o azul  entristece
Teu peito rasgado...

Eu olho uma flor,
Te falo de amor,
Te mostro a beleza
Além da tristeza...

Mas tu não escutas,
Perdido em ti mesmo
Perdido de si,
Tão longe de mim...

Desisto, e enfim
Voltamos pra casa,
O dia está triste,
Tu ficas em ti

E eu fico em mim,
Querendo viver,
Estendo-te  a mão
Mas já não me enxergas...

Perdido nas trevas
Tão enregelado,
Olhar mareado,
Coração fechado.

sábado, 18 de agosto de 2012

Almas Atormentadas - Conto de terror







Era um velho manicômio, já desativado. O prédio de paredes que outrora foram brancas, encimava a colina com suas janelas banguelas de vidraças, e havia apenas um vigia noturno, que de vez em quando, fazia a ronda em volta do prédio (apenas para justificar seu salário de vigia), quando não tinha mais o que fazer. Mas mesmo ele, jamais tivera coragem de adentrar o prédio, pois havia muitas histórias horríveis sobre aquele local.
 
 Histórias que falavam de suicídios, choques elétricos, aprisionamentos em solitárias, serial killers em camisas de força que eram jogados para todo o sempre em celas não-acolchoadas, para que batessem suas cabeças contra a parede até que morressem com as mesmas arrebentadas. 
 
Até que a modernidade veio, questionando os métodos de ‘cura mental’ usados naquele manicômio, que acabou sendo desativado.
 
Todos se foram: loucos, médicos, enfermeiros. Mas havia uma única cela, na qual ninguém jamais entrava; a comida e a água eram empurradas para dentro através de uma abertura na base da porta de ferro. Se alguém olhasse para dentro, através da nesga de vidro, veria lá um homem solitário, de cabelos desgrenhados, unhas compridas e pontudas, olhos vermelhos e injetados. Cumpria sua pena como o louco que assassinara mais de vinte mulheres. Era um serial killer perigoso.
 
Seu nome? O mais comum e confiável possível: Justino. Mais conhecido como Justino, o Matador.
 
O último enfermeiro que tentara dar-lhe um banho, acabou perdendo o nariz, que ficou entre os dentes de Justino. Uma das enfermeiras, ao tentar dar-lhe uma injeção calmante, fora estrangulada. Ele conseguia soltar-se das camisas de força que o prendiam, tal a sua enorme agilidade e força física. Mesmo quando ele era alvejado, de longe, por tranqüilizantes, como se fosse um animal selvagem, o efeito dos mesmos era muito mais curto do que em pessoas normais. 
 
Por que não o deixavam morrer, como faziam com vários outros? Porque Justino era filho adotivo de um magnata do petróleo, que pagava caro para que ele fosse mantido vivo. Este magnata era tutor do rapaz, e enquanto ele permanecesse vivo, receberia uma imensa fortuna, que seria imediatamente doada à caridade em ocasião de seu passamento. 
 
Assim, a lenda de Justino, O Matador, corria pelos corredores do hospital. Ninguém se atrevia a chegar perto dele, e decidiram que fariam apenas o mínimo para que ele permanecesse vivo.
 
Mas um belo dia, o magnata, pai adotivo de Justino e seu tutor, faleceu de um ataque cardíaco. Assim, a fortuna de Justino foi doada para a caridade, como deveria ser. Isto ocorreu pouco antes da desativação do manicômio, e Justino, sem o seu ‘desinteressado protetor,’ ficou cada vez mais esquecido.
 
Às vezes, esqueciam-se até mesmo de alimentá-lo, e seus gritos de fome ecoavam pelo hospital. Quando, finalmente, as portas fecharam, acabaram esquecendo-se dele. Ou teria sido um esquecimento proposital? Teria sido uma vingança, perpetrada em nome de suas muitas vítimas inocentes?
 
Justino pereceu lentamente em sua cela, de fome, frio e sede. De nada adiantou-lhe gritar, pois não havia ninguém para ouvi-lo. O corpo , ou seja, o que restou dele, foi encontrado muitos anos depois, por um grupo de garotos que brincavam nas ruínas do hospital. Ninguém mais se lembrava dele, e seus ossos foram sepultados em uma cova coletiva. 
 
Mas o que ninguém sabia, é que sua alma doente e aprisionada ainda vagava por ali, presa para sempre entre as paredes em ruínas do manicômio. Como companhia, apenas as mesmas almas atormentadas que com ele conviveram.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

GELO







foto: minha - de uma imagem do computador da cervejaria Bohemia 




GELO



Quanto mais os dias passam 


Vai crescendo uma camada 


De gelo, sobre a paixão. 



Quanto mais de mim te afastas, 


Pra mais longe tu viajas 


Do centro do meu coração. 



Quanto mais foges da vida, 


Mais alastra-se a ferida, 


Decompõe-se a emoção... 



E o mais triste, é que não ligas 


Que ao meu corpo, vão ficando 


Estranhas, as tuas mãos! 


**** 



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Alternativas ao Tédio







Alternativas ao tédio

Como todo ser humano, também tenho meus momentos de tédio. Não vejo nada de mal nisso, a não ser que deixemos estes momentos se transformarem em dias, meses, anos... quando estou entediada, procuro fazer algumas coisas que me deixem de novo 'em foco'. Porque se não tomar cuidado, o tédio vai se alastrando que nem hera por cima de um muro. Portanto, sugiro algumas alternativas despretensiosas para estes momentos totalmente brancos. 

-Tédio demais é falta de vivência interior, portanto, enriquecer-se espiritualmente é uma boa ideia. Ler um bom livro, conversar com alguém que consideramos mais espiritualizado que nós, meditar.
-Sair para dar uma volta a pé. Mas prestar atenção à paisagem, desfrutar da beleza das flores e árvores, e se elas estiverem ausentes, sair para ver as vitrines, tomar um sorvete, comprar-se um presente.
- Ajudar alguém que esteja precisando.
- Telefonar a um amigo com quem não falamos há algum tempo, e colocar os assuntos em dia.
-Cozinhar. Escolher alguma receita interessante na Internet e por mãos à obra!
- Assistir a um bom filme.
- Tomar um banho de banheira, com direito a sais, velas, incensos e espuma. Se não tiver banheira, não faz mal: uma chuveirada longa, bem longa.
-Arrumar os armários em casa, passar uma pilha de roupas (você vai achar o tédio excelente depois disso), cuidar do jardim. Tarefas caseiras consumem tempo e a gente pode fazê-las sem ter que prestar muita atenção, e quando nos damos conta, as horas já se passaram!
- Levar o cachorro para passear.
- Ouvir música. de preferência, aqueles vinis antigos, ou CDs de músicas antigas que nos façam recordar bons momentos.
- Ler.
- Escrever. Cartas, diários, crônicas, poemas, contos, qualquer coisa que estimule a imaginação.
-Sentar-se em algum lugar calmo e prestar bastante atenção em volta. Não pensar em problemas, mas ligar-se com o que está em volta, até sentir-se uma parte integrante do Todo.
-Dançar. Não precisa ser em uma discoteca, até na sala de estar vale. No começo, nos sentimos desajeitados, mas depois, começamos a reencontrar os passos e soltar o corpo.
- Tomar um ônibus qualquer que nos leve até um bairro da cidade ao qual nunca fomos, mas que sempre quisemos conhecer. Quando eu era pequena, minha mãe sempre fazia isso, e me levava com ela.
-Tomar café na padaria, se você estiver entediado no trabalho. É uma coisa que adoro fazer até hoje!
-Organizar uma reuniãozinha com os amigos em sua casa num final de semana. Só o fato de organizar tudo já nos tira do estado de tédio.
-Se o tédio for crônico, fazer análise, ou escrever um diário, até descobrir o que está causando tudo. Aliás, escrever diários é um ótimo exercício de auto conhecimento.
-Se você for mulher, marcar um dia no salão e cortar o cabelo, fazer as unhas, cuidar da pele... depois, comprar uma roupa nova.
-Se inscrever em algum tipo de curso, aprender algo novo: bijuteria, pintura, escultura, dança, ou aprender a tocar um instrumento.

Muitas destas dicas eu já usei em alguns momentos em minha vida. Por exemplo,uma vez, comecei a fazer colares. Comprei as contas e os fios, comecei a criar os modelos, e logo, as meninas que trabalhavam comigo começaram a fazer algumas encomendas. Durante uns seis meses, vendi muitos colares, até que eles me entediaram. 
Mas é sempre bom fazer alguma coisa nova. Por isso eu costumo trocar os móveis de lugar, redecorar, fazer algumas mudanças radicais em casa de vez em quando.
Há pouco tempo, comprei um pendrive para colocar músicas para meu marido ouvir no carro. Me diverti fazendo isso durante alguns dias.
Tédio é falta do que fazer, ou então, excesso do que fazer. Equilíbrio previne o tédio, na maioria das vezes.

A Pedra

foto: da autora, imagem virtual de um computador da cervejaria Bohemia





A Pedra

Sentado na pedra, ele via
O rio que sempre passava:
"Sempre as mesmas águas,
Sempre as mesmas águas..."

O sol se erguia e se punha
Ante seus olhos cansados.
calado, ele permanecia
Mas o rio sempre corria.

Seres que vinham a margem
Chegados de suas viagens
por horas, ou talvez por vidas
Permaneciam ao seu lado.

(Suas vidas se tocavam
Como o céu e as nuvens, que ao longe
Parecem compor um só quadro
Mas de perto, um é vapor
E o outro, azul infinito,
Sendo que o azul nem existe).

Súbito, o rio chamava
Para si suas criaturas
E elas seguiam viagem
Mas ele permanecia.

E de dentro do rio, quem via,
Achava que ele chegava,
Chegava, mas logo partia
Pois a pedra só passava.

Exageros

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